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Na dança, no teatro e no circo

 

8979 - Em 2004, apaixona-se pelo circo e vai fazer aulas de trapézio em balanço

Em 2004, apaixona-se pelo circo e vai fazer aulas de trapézio em balanço

 

Da sapatilha de ponta para os rolamentos no chão, passando por estilos e escolas de dança diversas, até ganhar poderes aéreos, subir cordas, tecidos e liras, as linguagens híbridas se expandem. A experiência da criadora-intérprete carioca Mariana Duarte levou a esse encontro.

Na infância, praticou nado sincronizado e começou a dançar profissionalmente aos 15 anos, em 1987, com o grupo de Jaime Aroxa. “Fiquei na dança de salão muitos anos até que, em 1990, resolvi estudar na escola da Angel Vianna, no Rio, que na época se chamava Espaço Novo. Lá eu me formei como bailarina contemporânea”, relembra.

Em 1994, em São Paulo, participou do Projeto Dança. “Com isso, radiquei-me na cidade. Os trabalhos começaram a acontecer e aqui estou até hoje.” Mariana ainda se formou em Letras, na USP. Entrou em 1997 para fazer Grego e concluiu seu mestrado em 2006. Mas a dança falou mais alto e, em 2005, retornou aos palcos. “A maior conexão com a academia foi aprender a escrever e isso é importante para viabilizar os

Foto: Fernando Sciarra

Já com carreira estável na dança, foi se embrenhando pelo teatro, dança-teatro e circo-teatro

Já com carreira estável na dança, foi se embrenhando pelo teatro, dança-teatro e circo-teatro
Fotos: Fernando Sciarra

Mirna, espetáculo inspirado nos escritos da Clarice Lispector sobre como ser uma boa mulher na década de 1940

Mirna, espetáculo inspirado nos escritos da Clarice Lispector sobre como ser uma boa mulher na década de 1940 

 

projetos. Sem falar em toda literatura com a qual tive contato, estudei, li e reli muitos livros incríveis”.

Já com carreira estável na dança, foi se embrenhando pelo teatro, dança-teatro e circo-teatro. “Em 2004, um amigo de passagem pela cidade viu uma lona na Avenida Cidade Jardim. Ele quis conhecer e me levou junto. Apaixonei-me, comecei a fazer aulas de trapézio em balanço e nunca mais parei. Em seguida, minhas criações circenses estavam sempre conectadas com a dança.”

No ano seguinte, passou a trabalhar profissionalmente com circo. “A mistura já estava inscrita no meu corpo, não tinha como evitar. A primeira criação foi Gilda, número de tecido inspirado em Rita Hayworth, de 2007. Depois veio Velma (2008), na lira, inspirada na personagem da Catharina Zeta-Zones no filme Chicago. Ninon, também de 2008, é uma dança acrobática em um sofá de espuma. Houve também Soledad (2009) e Mirna (2011).” Todos estes trabalhos têm em comum temas relacionados às mulheres. Mirna, por exemplo, foi inspirado nos escritos da Clarice Lispector sobre como ser uma boa mulher na década de 1940.

Em 2012, depois de ganhar edital da Procultura (bem, ela coleciona vários prêmios em editais), criou Avesso da alma, que mergulha no universo do pintor austríaco Egon Schiele (1890-1905), e fala da mulher contemporânea.

Enquanto escrevia seus projetos solos, também participou de peças do Célia Gouvêa Grupo de Dança, com os espetáculos Corpo incrustado e Massa (ambos de 2007). Fez ainda assistência para Ismael Ivo, em 2006. “Minha primeira grande experiência como assistente de direção. Foi muito bacana. Mas enquanto tiver energia e corpo saudável, quero estar em cena”, diz ela, que já trabalhou com o cultuado grupo Circo Mínimo, com o qual mergulhou fundo no circo/teatro, em 2008. “Criamos um trabalho intenso chamado

 

NuConcreto (2009). Criamos também Miranda e a cidade, baseado em a Tempestade, de Shakespeare (1564-1616), para o Sesi, em 2008. No Circo Mínimo, participei como intérprete de Babel e Deadly, em 2009 e 2010.”

Também dançou com a Cia. Druw, dirigida pro Miriam Druwe, em Lúdico (2009) e em Vila Tarsila (2012). “São peças lindas para crianças, extremamente delicadas e ao mesmo tempo vigorosas, técnicas”, conta. “Acho que a junção de todos estes trabalhos diferentes que venho realizando está no meu corpo e na minha história como artista, criadora, intérprete. É como qualquer outro tipo de aprendizagem na vida, você acumula vocabulários, experiências, movimentos e isso pode te levar a ter vontade de se expressar artisticamente por meio de novas modalidades que te habitam.”

Se você quiser ver Mariana, pode fazer uma aula no Galpão do Circo, na cidade. Lá, ela ensina técnica, com o coração de artista.

Foto: Taína

NuConcreto, trabalho criado no núcleo do Circo Minimo

NuConcreto, trabalho criado no núcleo do Circo Minimo 
Foto: Fernando Sciarra

Artista cria este ano Avesso da alma, que mergulha no universo do pintor austríaco Egon Schiele

Artista cria este ano Avesso da alma, que mergulha no universo do pintor austríaco Egon Schiele